01. Introdução
Este POP organiza a execução e a revisão do método de cálculo de blindagem em radiologia odontológica, com base no NCRP Report No. 177. Foi estruturado para documentar as premissas e tornar a conferência do cálculo rastreável.
| Campo | Situação desta versão |
|---|---|
| Código editorial | POP-BLD-177 |
| Versão / elaboração editorial | 0.2 · 31/10/2026 |
| Elaboração | Conteúdo autoral do Inspector Sanitatis, baseado nas referências identificadas. |
| Revisão técnica | Pendente de identificação e revisão por profissional habilitado. |
| Aprovação / vigência | Não aprovadas; a definir pelo serviço após validação e controle documental. |
| Vínculo operacional | Calculadora de Radiologia odontológica · registrar na memória a versão do módulo efetivamente utilizada. |
02. Objetivos
Padronizar o cálculo de barreiras por espalhamento de equipamentos intraorais, panorâmicos, cefalométricos e CBCT, segundo o apêndice B do NCRP 177 e a metodologia de transmissão à qual ele remete no NCRP 147.
03. Campo de aplicação
Aplica-se ao espalhamento por imagem ou exame em um ponto protegido, com soma de equipamentos/protocolos que atravessem a mesma barreira homogênea. O módulo associado exige kerma por procedimento e sua origem; não possui um valor genérico de saída clínica do equipamento.
O tratamento da primária segue a recomendação específica do apêndice B.2 do NCRP 177. Se a geometria, a condição de operação ou o critério aplicável exigir avaliação de feixe direto, realizar cálculo complementar apropriado; não forçar esse caso no campo de espalhamento.
A responsabilidade e os limites do modelo devem permanecer identificados na emissão da memória, inclusive quando houver avaliações complementares.
04. Documentos de referência
NCRP. Radiation Protection in Dentistry and Oral & Maxillofacial Imaging. Report No. 177, 2019. Cópia PDF fornecida pelo usuário.
- Apêndice B: páginas impressas 130–136 (PDF 143–149).
- B.2: tratamento do primário no método odontológico, página 134 (PDF 147).
- B.4: ocupação, uso e cargas; tabelas B.1–B.3, páginas 134–136.
- Curvas implementadas: NCRP 147, equação A.2 e tabela C.1, 70 e 100 kVp, página 147 (PDF 157). O apêndice B do NCRP 177 remete à metodologia do NCRP 147.
Referência no catálogo do NCRP ↗
Texto operacional autoral, organizado a partir dos métodos já documentados no guia e dos relatórios fornecidos. Consulte as edições identificadas e suas correções ao adaptar o POP. O vínculo ao relatório não representa autoria ou aprovação deste POP por suas entidades editoras.
05. Siglas e abreviaturas
| Sigla | Significado |
|---|---|
| POP | Procedimento Operacional Padrão |
| VISA | Vigilância Sanitária |
| NCRP | National Council on Radiation Protection and Measurements |
| AAPM | American Association of Physicists in Medicine |
| CBCT | Tomografia computadorizada de feixe cônico |
| FOV | Campo de visão |
| DAP | Produto kerma–área (denominação corrente no dado do equipamento) |
| kVp | Tensão de pico do tubo |
06. Definições
- Barreira homogênea
- Barreira representada por um único material e sua curva de transmissão. A equivalência entre materiais não é presumida.
- Ponto protegido
- Local de ocupação para o qual se avaliam as contribuições, com distância e geometria identificadas.
- Meta de projeto P
- Valor semanal adotado para a grandeza explicitada no método, cuja justificativa e referência devem ser registradas.
- Fator de ocupação T
- Fração de ocupação pertinente ao indivíduo avaliado no ponto protegido.
- Transmissão B
- Fração da contribuição que atravessa a espessura do material, segundo a curva e o espectro utilizados.
- Memória de cálculo
- Registro das entradas, fontes, unidades, hipóteses, cálculos, verificações e limitações de um cenário.
- Kerma no ar
- Grandeza de energia transferida por unidade de massa no ar, aqui usada segundo a normalização e a unidade explicitadas no método.
07. Responsabilidades
| Responsável | Atribuições e evidências |
|---|---|
| Profissional habilitado pelo projeto | Definir a aplicabilidade, critérios, hipóteses, fontes e cálculos; identificar limitações e assinar a documentação sob sua responsabilidade. |
| Equipe do serviço / responsável pelos dados | Disponibilizar plantas, rotinas, cargas, protocolos, mapas do fabricante e alterações previstas; confirmar a representatividade dos dados. |
| Revisor técnico designado | Conferir independentemente unidades, geometria, fontes e soma transmitida; registrar identificação, data e pendências da revisão. |
| Responsável pela execução construtiva | Executar a especificação aprovada; registrar materiais, densidade/espessura quando pertinentes, continuidade, juntas e alterações de obra. |
| Gestão documental do serviço | Controlar aprovação, versão vigente, registros e revisão; impedir uso inadvertido de versões substituídas. |
08. Procedimento
8.1 Preparação e dados de entrada
- Receber a solicitação e identificar projeto, serviço, equipamento e versão da planta. Registrar se o trabalho corresponde a instalação nova, alteração ou verificação.
- Levantar medidas, alturas e ocupação dos pontos protegidos. Identificar o indivíduo mais exposto e mudanças previsíveis de uso.
- Reunir relatórios de referência, dados técnicos, protocolos, histórico de carga e informações construtivas. Registrar fonte, edição, tabela/linha e data de cada dado.
- Antes de executar, confirmar que os dados necessários abaixo estão disponíveis. Havendo lacuna que altere o resultado, registrar a pendência e não inventar um valor para encerrar a memória.
| Parâmetro | Unidade | Como obter / conferir |
|---|---|---|
| N | imagens/semana ou exames/semana | Mesma unidade de procedimento utilizada no kerma; paciente não equivale necessariamente a imagem. |
| k / r₀ | µGy/procedimento / m | Kerma espalhado e distância de referência da medição/mapa; registrar direção, técnica, FOV e aparelho. |
| d | m | Distância paciente/fonte de espalhamento–ponto protegido. |
| P / T | mGy/semana / adimensional | Meta de kerma no ar e ocupação, com critério aplicável documentado. |
| α, β, γ | mm⁻¹, mm⁻¹, adimensional | Curva de espalhamento compatível com o material, espectro e filtração. |
| xexistente / incremento | mm do mesmo material | Espessura existente comprovada e incremento de arredondamento para cima. |
8.2 Execução do cálculo
Executar as etapas na ordem e manter o registro indicado. Repetir para cada ponto protegido; não confundir o atendimento de um ponto com a adequação de toda a instalação.
- Inventariar os aparelhos e protocolos
Separar intraoral, panorâmica, cefalometria e CBCT. Identificar localização do paciente, técnicas, tamanhos de FOV, resolução, modos pulsados e direções relevantes. Marcar os pontos protegidos, inclusive salas e pavimentos adjacentes.
Registro esperado: Inventário de aparelhos/protocolos e planta com distâncias.
- Conferir o escopo do cálculo por espalhamento
Confirmar que a aplicação se enquadra nas condições metodológicas do NCRP 177, apêndice B.2. Neste cálculo, não utilizar fator de uso U nem crédito de pré-blindagem. Registrar separadamente qualquer necessidade de análise de feixe direto, equipamento portátil, área aberta ou condição atípica.
Registro esperado: Conclusão de aplicabilidade e pendências de análise complementar.
- Definir P e T
Usar meta de kerma no ar em mGy/semana e ocupação individual do ponto protegido. Consultar a tabela B.1 como referência de ocupação, conferindo o uso real das áreas. Não converter dose efetiva do paciente em P nem confundi-la com kerma ambiental.
Registro esperado: Critério, referência e justificativa de P/T.
- Levantar a quantidade de procedimentos
Para intraoral, contar imagens e repetições; para CBCT, contar exames completos do protocolo. Se cada paciente gerar várias imagens, transformar a contagem antes de inserir N. Registrar a expectativa de crescimento e separar protocolos com saídas diferentes.
Registro esperado: Planilha de N e sua unidade, por aparelho/protocolo.
- Obter o kerma espalhado por procedimento
Solicitar mapa do fabricante ou medição apropriada ao protocolo e à direção do ponto protegido. Registrar k em µGy por imagem/exame e r₀ em metros. Converter previamente dados por mAs pela técnica correspondente. Não utilizar diretamente DAP, CTDIvol ou dose efetiva como kerma espalhado. Sem origem verificável, interromper o cálculo dessa contribuição.
Registro esperado: Documento de origem, versão, protocolo, direção, k e r₀.
- Normalizar para a geometria do ponto
Calcular . Confirmar que as distâncias se referem à mesma origem geométrica. A divisão por 1000 converte µGy em mGy. Não normalizar novamente um dado já fornecido no ponto protegido.
Registro esperado: Kerma semanal não blindado de cada contribuição e conferência das unidades.
- Selecionar a curva de transmissão
Verificar o espectro e a filtração. As curvas cadastradas de 70 e 100 kVp são da tabela C.1 do NCRP 147 e não são universais para CBCT. Se forem inadequadas, selecionar modo manual e registrar coeficientes específicos, material e referência. Não fazer interpolação apenas pela tensão nominal sem respaldo técnico.
Registro esperado: α, β, γ e justificativa de compatibilidade da curva com o equipamento.
- Resolver a soma transmitida
Somar de todas as contribuições no mesmo ponto. Usar uma espessura comum do mesmo material. Arredondar para cima e verificar novamente a soma. Não atribuir P integralmente a cada equipamento de maneira independente.
Registro esperado: Espessura contínua, arredondamento e kerma ocupado total ≤ P.
- Revisar as condições da instalação
Conferir portas, juntas, vidros, altura de barreiras e locais do operador. Na substituição de panorâmica por CBCT, recalcular com os novos mapas; não assumir que a blindagem antiga é suficiente. Encaminhar geometrias não representadas pelo modelo para avaliação complementar.
Registro esperado: Parecer de revisão, interfaces construtivas e critérios para verificação pós-instalação.
8.3 Equações e unidades
N é a quantidade semanal na mesma unidade usada para k. r₀ e d são expressos em metros; x em milímetros; α e β em mm⁻¹. O fator 1/1000 converte µGy em mGy. Para uma contribuição, . Para várias contribuições, o programa encontra uma espessura comum por bisseção.
Radiação primária e fator de uso
O apêndice B, seção B.2, recomenda desprezar a contribuição primária nas condições de imagem odontológica discutidas no relatório; a seção B.4.2 informa que o fator U não se aplica ao cálculo por espalhamento. Por isso, este módulo não utiliza U nem oferece crédito automático de pré-blindagem.
Essa é uma escolha metodológica específica do NCRP 177, não uma autorização para desconsiderar qualquer feixe direto em qualquer geometria. Instalações atípicas, feixes não interceptados, exigências do órgão competente ou um critério que requeira avaliação primária devem ser tratados separadamente por método adequado. Não force esses casos no campo de espalhamento.
8.4 Conferência e critérios de aceitação
Conferência independente
O revisor deve verificar uma contribuição por cálculo independente, conferir a ordem de grandeza e examinar a soma completa. Alterar uma entrada da calculadora exige gerar nova memória; não reutilizar um resultado anterior ou um arquivo exportado como se tivesse sido atualizado.
- N usa imagens ou exames na mesma unidade do kerma?
- O k foi obtido para aparelho, protocolo e direção identificados?
- r₀ e d usam a mesma origem geométrica?
- A conversão de µGy para mGy foi aplicada uma única vez?
- A curva é compatível com o espectro, especialmente no CBCT?
- Não há U ou crédito automático de pré-blindagem nesta metodologia?
- A soma de todos os aparelhos/protocolos atende a P após o arredondamento?
Critério numérico e conclusão
A soma das contribuições transmitidas no ponto, ponderadas por T e avaliadas com a espessura arredondada para cima, deve ser menor ou igual a P. Esse atendimento é restrito às hipóteses e às componentes calculadas. A revisão só deve concluir o cenário quando fontes, geometria, unidades e interfaces relevantes estiverem identificadas; pendências de escopo precisam permanecer explícitas.
Se a ferramenta indicar espessura zero, conferir a origem dos dados e a inclusão de todas as fontes. Isso significa somente que o cenário informado atende ao limite sem blindagem adicional no modelo. Não concluir ausência de exposição ou dispensa automática de requisitos construtivos.
09. Desvios e ações necessárias
| Situação | Conduta e retorno ao processo |
|---|---|
| Somente dose efetiva ou indicador de saída disponível | Obter ou derivar kerma ambiental por procedimento com modelo apropriado e rastreável; não inserir o indicador como se fosse k. |
| Mapa de espalhamento incompatível com FOV/técnica | Solicitar informação do protocolo relevante ou realizar caracterização adequada antes de emitir resultado. |
| CBCT substitui panorâmica | Tratar como alteração de projeto e reavaliar fonte, carga, curva e barreiras. |
| Feixe direto ou geometria atípica fora do escopo | Registrar a limitação e realizar avaliação complementar; não concluir adequação apenas pelo cálculo de espalhamento. |
Registrar o desvio, a fonte da correção, o responsável e a revisão da memória. Após qualquer correção, repetir a soma e a conferência do resultado. Não aumentar P nem diminuir T apenas para fazer uma espessura disponível atender.
10. Anexos
10.2 Registros e ficha de emissão
Emitir uma memória por ponto protegido, ou um documento com os pontos inequivocamente separados. Registrar:
- Identificação do projeto, versão da planta, ponto, barreira, coordenadas/alturas pertinentes, data e responsáveis.
- Meta P, ocupação T, justificativas, unidades e critérios adotados.
- Número de imagens/exames, aparelho, FOV, técnica, mapa ou medição de espalhamento, direção, k, r₀, d, curva escolhida e justificativa de sua compatibilidade.
- Espessura contínua, incremento, espessura arredondada, parcelas transmitidas, soma, comparação com P e análise da barreira existente.
- Exclusões, aproximações, incertezas relevantes, condições de validade e avaliações complementares.
- Identificação da calculadora, versão do módulo, arquivo JSON e impressão/PDF gerados a partir das mesmas entradas revisadas.
- Revisão técnica, pendências, decisão documentada e vínculos com especificações construtivas e plano de verificação pós-instalação.
Guardar os registros no sistema documental adotado pelo serviço, conforme seus requisitos aplicáveis. A página não determina um prazo legal de guarda. Não inserir dados identificáveis de pacientes nos exemplos ou na calculadora.
| Registro | Identificação / evidência a vincular |
|---|---|
| Projeto / planta / ponto protegido | |
| Memória / arquivo / versão do módulo | |
| Elaborador / data | |
| Revisor / data / pendências | |
| Aprovação institucional / vigência | |
| Verificação da execução / levantamento radiométrico |
Abrir calculadora e gerar a memória →
10.2 Exemplo de conferência
Exemplo inteiramente fictício, sem valor clínico tabulado: imagens/semana, µGy/imagem a m e m. Assim, .
Se e mGy/semana, . A espessura depende da curva compatível selecionada. O valor fictício de k serve apenas para conferir contagem, distância e conversão; não deve ser usado como saída de um intraoral ou CBCT real.
11. Histórico
| Versão / data | Alteração | Estado |
|---|---|---|
| 0.1 · 31/10/2026 | Criação da minuta e vínculo com a calculadora. | Minuta para adaptação. |
| 0.2 · 31/10/2026 | Estrutura comum de onze seções, novo visual de etapas e equações em LaTeX. | Revisão técnica e aprovação institucional pendentes. |
Gatilhos de revisão: Instalação de CBCT, alteração de FOV, técnica, resolução, receptor, número de imagens/exames, disposição de cadeiras ou ocupação das áreas adjacentes. Revisar também quando forem identificadas correções das referências, falhas de cálculo ou alterações do módulo utilizado. A periodicidade ordinária deve ser definida pelo serviço, sem apresentar uma frequência editorial como obrigação normativa.
Após revisão, registrar a versão substituída, as alterações, os revisores, a aprovação e a vigência. Preservar as memórias anteriores com suas respectivas hipóteses e versões, sem sobrescrevê-las como se fossem o mesmo cálculo.